O Rock agora é Pop

Depois de anos sendo obrigada a conviver com músicas da moda e de qualidade duvidosa - pagode, axé, funk pancadão, emocore e, nos últimos tempos, hip hop - a moda agora é o rock and roll. Até a coca-cola fez uma propaganda no estilo "ser cool é ser rocker". Isso me dá um pouco de alento, mas só um pouco. Confesso que não fiquei muito feliz com essa nova moda não.

Eu gosto de rock. Muito, há um bom tempo. Não sou uma grande especialista no assunto (ainda mais convivendo com um monte de indies, he), mas também não sou nenhuma tapada. Conheço o suficiente pra ter uma opinião formada sobre o que é bom e ruim nesse estilo. E esse é o motivo do meu pé atrás com esse "revival".

As bandas que estão sendo usadas como exemplo do "rock and roll life stile" são muito, mas muito ruins. Ver Detonautas, CPMs 22, Goods Charlotes, Pittys e Avrils Lavignes vendendo esse peixe é de doer. Dói mais ainda saber que a galera compra. Principalmente adolescentes, faixa etária que pode ser definida como "uma grande fatia do mercado em período de descobertas, de definição de estilo e gosto" - conseqüentemente, absolutamente suscetível a todo e qualquer tipo de influência. Se for uma influência "da moda" então...

Eu vejo isso através de uma prima de 12 anos, que idolatra a Avril. Sabe as músicas de cor, se veste igual e briga com a mãe porque teima em ir pra escola com lápis preto nos olhos todos os dias. Eu nem odeio a meninota s8er (aprendi com a minha priminha que é assim que escreve), mas ... será esse um bom começo? Ok, eu também tenho meus discos dos Menudos, Dominós e afins, mas com essa idade eu também já ouvia Beatles. E ela só tem a Avril e todos os protótipos equivalentes como referência. Na minha infância, eu curtia "A Casa de Brinquedos"; a dela foi embalada por "É o Tchan" e cia. Preocupante, não?

Muitos podem argumentar que ela só tem 12 anos, que isso passa. Pode ser. Ou podem dizer que isso é uma bobagem - aí eu já não concordo. Pra mim, gosto musical define em boa parte a índole de uma pessoa. Mas isso eu explico depois, em outro post.

Só acho que é esse tipo de modismo que faz da cultura brasileira, principalmente a de massa, uma coisa tão duvidosa. As escolas deveriam ter uma disciplina de educação musical obrigatória. Aí sim eu conseguiria vislumbrar um futuro musical melhor para esse país.

O bom ladrão

Saía todas as segundas-feiras de casa, no mesmo horário, e retornava pontualmente uma hora e quinze minutos depois. O destino ficava a meia quadra da casa, mas sempre ficava um pouco temerosa porque já era noite e a rua era mal-iluminada naquele trecho. Como havia um bar, sempre movimentado, no meio do caminho, sabia que seus maus presságios não tinham muito fundamento.

 

Numa dessas segundas-feiras, quando voltava, viu um carro sendo roubado, na sua frente. O ladrão apenas forçou a abertura da ventarola, abriu porta por dentro, fez uma ligação direta e saiu calmamente. Isso demorou uns 30 segundos. Ela encarou o homem, demorando para acreditar que aquilo estava acontecendo. O ladrão também encarou-a, com uma cara não muito boa. Apurou o passo, num misto de medo e indignação: havia muitas pessoas no bar aquela hora e ninguém fez nada. O que ela podia fazer? Bem que tentou ver a placa para avisar a polícia, mas outros carros atrapalharam sua visão.

 

Seguiu seu rumo, arrasada pelo o que acabara de presenciar, e por ver aquilo e ter que continuar como se nada tivesse acontecido. Amaldiçoou o ladrão, torcendo para que enfiasse o carro no próximo poste. A partir daquele dia, olhava mais vezes para os lados quando punha os pés para fora de casa.

 

Isso durou até a próxima segunda-feira. Assim que saiu de casa, no mesmo horário de sempre, deparou-se com o ladrão, no mesmo carro. Desta vez, amaldiçoou-o por gastar no bar o dinheiro que poderia pagar a um chaveiro – e, assim, poder entrar no próprio carro da maneira convencional.

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