
Eu sou tão mirim com essa coisa de blog que semana passada eu poderia ter escrito um post para uma pessoa que eu gosto muito e não o fiz. Fá-lo-ei agora.
Sábado passado (06), faleceu em Cuba Ibrahim Ferrer, o velhinho mais legal de todos os velhinhos do Bueno Vista Social Club. E ele não era só legal. Era um exemplo de vida.
Nascido em 1927, ele perdeu a mãe aos 12. Apesar de desejar ser médico, ele passou a vender pipocas para ajudar no sustento da casa. Aos 14, começou a cantar com a banda de um primo, em festas de bairro. Ele sempre quis cantar boleros, mas críticos diziam que não tinha voz pra isso. Assim, ficou muito conhecido por cantar “son”, um ritmo tipicamente cubano.
Em 1955 teve um disco bem-sucedido, "o Plantanar de Bartolo". Isto lhe rendeu uma certa fama local, mas a canção mais famosa, que levava o mesmo título que o LP, saiu sem seu nome no resto do mundo.
Com a revolução e o fechamento dos casinos, no final dos anos 50, sua carreira foi prejudicada. Por isso, passou a engraxar sapatos. Parou de cantar em 1991, desencantado com a música.
Só voltou à fama – desta vez, mundial – em 1996, com o projeto “Buena Vista Social Club”, no qual cantou ao lado de vários artistas que sempre admirou, como Omara Portuondo e Barbarito Torres. Ele cantou 12 das 14 canções do disco – inclusive os tão queridos boleros. E ganhou um Grammy por esse disco. E mais dois Grammys latinos, um deles em 2000, como Artista Revelação. Aos 72 anos.
Morreu cedo, aos 78. Pelo menos foi-se com seus sonhos realizados.
Adeus.
Mas então, nem fiz metade das coisas legais propostas num post anterior. Fiz coisas muito melhores!
Programação “praticamente uma urbenauta”
- Patinar no parque Barigui
- Tomar água de côco no Jardim Botânico
- Ver o pôr-do-sol do mirante da torre da Telepar
Programação “porque comer com qualidade é bom e eu gosto”
- Comer morangos de café da manhã, degustando todos eles com a maior calma do mundo, ouvindo músicas felizes em dia lindo de sol
- Almoçar, sentar pra ver TV e ficar lá até às 3 da tarde
- A regalia de gastar em uma única e bela refeição os tickets-alimentação que eu usaria em uma semana inteira de trabalho
- Voltar de um passeio e dar de cara com um bolo de cenoura, quentinho, pronto para ser devorado
Programação “ah, as tão festejadas pequenas alegrias da vida”
- Fechar um bar numa segunda-feira
- Ir no show de uma banda MUITO foda, com o vocalista-caminhoneiro mais cozido que eu já vi
- Ver muitas pessoas que eu gosto muito e que vejo muito menos do que gostaria.
A outra metade das férias, adivinhem só, vai se passar em Guarapuava, a terra do realismo fantástico. É provável que, na próxima vez que aparecer por aqui, eu esteja com um dente a menos e tenha ido a um rodeio. Não vou poder reclamar de falta de inspiração pros próximos posts.
P.S. – ê, diarinho ...
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