Alguém tem alguma sugestão mais viável? Se tiver, me avisa.
A única coisa que me angustia mais do que o possível impeachment do Lula – e a crise que isso irá deflagrar – é a possibilidade de alguém do naipe de Severino Cavalcanti virar presidente da República. Aí sim, o Brasil deveria ser reconhecido oficialmente por algum órgão internacional, como a ONU ou, ironicamente, o FMI, como o país da piada pronta.
Mas, caso essa desgraça venha a acontecer, tenho alguns palpites de possíveis “mudanças” que o primeiro presidente severino do país iria sugerir – ou impor caso ele resolvesse dar um golpe e ficar lá pra sempre:
Felizmente não vai ser desta vez. A Constituição (art. 81, pár. 1º) determina que, quando a vacância do presidente e do vice ocorre nos dois últimos anos do período presidencial, o Congresso tem 30 dias para eleger-lhes dois substitutos. UFA!
Espero que, se o destino lhe der essa chance, ele não consiga, em um mês, por em prática tudo o que gostaria. Nem metade. Nem nenhuma emendazinha que seja. Porque, de absurdos, esse país já está cheio.
Pior que isso, só o fato de ter um cara chamado Jacinto Lamas envolvido na CPI do Mensalão.
Foi amor à primeira vista. Aqueles olhos grandes e castanhos. O sorriso tímido e difícil, mas a coisa mais bonita quando espontâneo. Os cabelos, tão macios, pousavam como nuvem sobre os ombros delicados. Tinha um jeito descompromissado, calmo, como se não tivesse nenhuma preocupação ou pressa. Uma alegria de quem vive o presente e é o que basta.
Apesar do semblante doce, tinha um quê de melancolia. Por que será? Uma paixão mal-resolvida, um amor perdido? O destino sempre apronta das suas. E agora aprontava mais essa. Ela ali, linda, sentada na mesa ao lado.
Conversa com as amigas. Meninas, quando se juntam, não param um minuto quietas. Elas já repararam que eu não consigo parar de olhá-la e nitidamente sussurram sobre minha indiscrição. Ela se incomoda por ser o assunto da mesa, mas só um pouco. Uma pontinha de satisfação transparece pelo brilho nos olhos. Olhos grandes e castanhos.
Não tenho mais como fugir. Vou até a mesa. Elas sabiam que esse momento era inevitável, e olham com expectativa. Ela fica impávida, apenas aguardando a iniciativa.
- Aqui está seu capuccino. Mais alguma coisa?
- Eu queria um doce. Tem torta de limão?
- Infelizmente o último pedaço foi servido há pouco. Posso deixar um pedaço separado amanhã, se quiser.
- Hmm, então eu venho buscar sim. Mais ou menos nesse horário, pode ser?
- Claro.
Antes de deixar a mesa, sorrio. Ela retribui. O sorriso mais bonito do mundo.
A primeira coisa que farei amanhã, quando chegar, é separar um pedaço de torta de limão.
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