Anteontem, Luciano Huck fez um leilão na Daslu, em São Paulo, para arrecadar fundos para uma ONG que ele criou. Tudo bem que o evento era beneficente, mas esses famosos novos-ricos do Brasil são muito sem-noção. Pagaram uma grana por coisas que, sinceramente, nem que fosse de graça valia a pena. Bando de baba-ovo, cruzes.
Piores momentos:
Aula de hipismo com Doda Miranda - R$ 25 mil
Aula de tênis com Gustavo Kuerten - R$ 42 mil
Em uma aula você não aprende nem metade da metade desses esportes. Muito dinheiro por praticamente nada.
Show exclusivo com Ivete Sangalo - R$ 170 mil
Com essa grana eu faria um festival, com muitas bandas nacionais e internacionais MUITO melhores do que a Ivete Sangalo (mas MUITO mesmo), num lugar bem bacana, e convidaria um monte de gente. Provavelmente ofereceria também a bebida. Seria muito mais divertido, de longe.
Passar um dia inteiro com Sandy e Junior - R$ 15 mil
Isso, nem por nada. Eu prezo pela minha reputação.
Almoço preparado por Ana Maria Braga na sua casa - R$ 75 mil
Aposto que a comida da minha mãe é muito melhor. E, ainda por cima, ela faz de graça.
A pior de todas:
Participação em clipe de Wanessa Camargo - R$ 16 mil
Sem comentários.
Os “objetos” mais legais que foram leiloados, em comparação com os programas-de-índio acima, saíram baratinho até. Foram duas credenciais de livre acesso para o Panamericano 2007 por R$ 17 mil, um bezerro Fantastic da Raça Simental por R$ 106 mil (já pensaram quanto vale o sêmen do bichão?) e uma viagem para a Copa do Mundo (hospedagem + ingressos) por R$ 180 mil.
(meio-dia)
- Chefe, vou chegar um pouquinho atrasada do almoço porque vou visitar minha mais nova priminha na maternidade, ok? Ela nasceu hoje.
- Porque você não deixa de comer pra fazer isso? Assim você não chega atrasada. Você sabe há quanto tempo eu não almoço?
- Não. Bom, tá avisado, chefe. Até depois.
Fazia muito tempo que eu não fazia isso.
O som não é tão limpo, e guardá-los não é fácil, afinal eles não cabem em qualquer lugar. Também exigem muito mais cuidado, e, para obtê-los, só em sebo mesmo – a não ser que você tenha dinheiro suficiente para importar essas belezinhas a preços exorbitantes.
Apesar de estarem meio esquecidos, discos são únicos, de uma beleza ímpar. O som de um disco parece ter uma “aura” completamente diferente. As vozes ganham outra entonação. Os chiados, tão característicos dos lps, parecem completar a música, como se sempre tivessem feito parte dela. Acho que é isso o que faz do som de um disco algo tão genuíno.
Explico: foi o disco que “materializou” a música, e possibilitou seu acesso a milhões de pessoas. Foram décadas – quase um século! – ouvindo música daquele jeito, cheia de barulhos extras. De repente veio o cd e “limpou” tudo isso. Praticamente, levou um pedaço da música embora.
Para os álbuns gravados depois da ascensão do disquinho prateado, o cd e seu som cristalino cumpre bem seu papel, porque as músicas já nasceram assim. Mas cds provenientes da remasterização de lps, ah, esses ficam um pouco a desejar. O som limpo soa esquisito, como se faltasse alguma coisa. O chiado é parte da obra, ora!
Além disso, ouvir discos é quase que um ritual: você liga a vitrola (tuinnn), coloca o disco, mira a agulha e pensa como era possível sair som do um pedaço de plástico que girava. E depois vira o disco. E vê a agulha chegar até o final, ouve o click que indica que o disco não está mais rodando. Só o tuin continua – esse só desligando a vitrola mesmo. Exige uma atenção e um cuidado especiais, e isso faz com que você crie laços com seus discos e com a vitrola, às vezes mais estreitos do que com muitos familiares. É um caso de amor, não há duvida.
Ainda resta a questão prática. Comprar discos é muito mais divertido, pois eles são grandes. E mais baratos também. Você pode levar vários discos com o dinheiro que gastaria na compra de um cd. Por serem mais difíceis de encontrar, exige paciência e perseverança. Achar um lp que você estaca procurando há tempos, em bom estado e com um bom preço, é algo realmente emocionante.
De fato, ouvir discos num mundo cheio de maravilhas tecnológicas, onde é possível enfiar centenas de musicas em aparelhinhos do tamanho de uma caixa de fósforo, não é para qualquer um. Mas não há praticidade equivalente ao prazer de ouvir um bom disco numa tarde ensolarada de sábado.
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