Aceitando o desafio proposto por Milana Bernartt, o tema de hoje é... entregadores de água.
Josias era entregador de água. Ganhava pouco, mas passava o dia todo ocupado. Todo dia pela manhã, saía sossegadamente com sua bicicleta, carregando galões cheios e vazios pra lá e pra cá.
Sossegadamente até o dia em que levou água para o apartamento de dona Edilene. Toda semana era a mesma coisa: ela implicava com ele porque se atrasou, porque iria sujar seu carpete com aqueles pés sujos, que o preço da água só subia, que aquela água tinha um gosto horrível, que o serviço dele era péssimo, que ele não lavava as mãos antes de trocar o galão, que ele sempre deixava espirrar água ao colocar o galão, que ele tinha esse emprego mequetrefe porque não tinha capacidade pra mais nada, que ela ia ligar pra distribuidora reclamando, e ainda por cima sempre dava o dinheiro em moedas. Muitas moedas. Nunca dava tempo de contar, ela sempre fechava a porta na cara. E sempre faltavam 10 centavos. E ele preferia pagar do bolso do que voltar a tocar aquela maldita campainha.
Após meses aturando os desaforos da dona Edilene, ele perdeu a paciência e passou a “batizar” a água da velha. Toda semana dava um jeito de despejar cachaça no galão. Esperou que ela fosse reclamar do gosto, mas nada. A partir de então, ela nem reclamava mais, ficou até mais simpática.
Até que um dia dona Edilene morreu. De velha mesmo, nem foi de cirrose. Josias comprou um vaso de flores em homenagem a ela, e toda semana ia até o túmulo regar a planta. Batizava a água da flor, assim como fazia com a água da defunta.
Ele sempre tinha a nítida impressão que a flor da Edilene era mais bonita e viçosa do que todas as outras flores do cemitério.
Raveonettes

Sune Rose, você não sabe o que andam falando de você por aí ... o Theo Marques que me contou
A tímida porém simpática dupla de dinamarqueses fez um show redondinho e deixaram os fãs satisfeitos com suas guitarras distorcidas. Acho que o resto da platéia curtiu também. Alguns poucos não gostaram muito. Ah, eu gosto dessa banda e achei bem bom. Destaque para o guitarrista da banda de apoio. Que performance!
O que me deixou realmente impressionada foi o número de fãs gays da banda, todos cantando todas as músicas de cor e dançando sem parar. Mais tarde fiquei sabendo que, segundo as más línguas, Sune Rose, a bonita e graciosa garota da dupla, é uma sapata daquelas. Não sei se isso tem alguma coisa a ver com a preferência dos homossexuais pela banda, só sei que eu sou hetero e que o show foi legal.
Mercury Rev

Eu imaginei que o show dos caras fosse bonito, mas superou as minhas expectativas. A música calminha tomou uma proporção gigante ao vivo. Para completar o clima meio rock, meio místico, um telão no fundo do palco passava imagens como golfinhos, bailarina, Albert Einstein e o Pequeno Príncipe, sempre com citações do tipo “Criatividade é muito mais importante que conhecimento”, “Sabe quem mantém os átomos desse mundo unidos? Você” e tals. No começo fiquei meio "hmmm, então tá", mas depois que você entra no clima o show fica de fato hipnotizante. A presença de palco do vocalista Jonathan Donahue ajuda a galera a embarcar nesse mundo zen.
Um show para ser ouvido, visto e sentido. Bonito mesmo. (E depois também eles pegaram mais leve e citaram Yoda e E.T.)
Mercury Rev fechou o CRF em alto estilo, conquistou a platéia e fez com que todo mundo voltasse levinho pra casa.
No fim, foram caros R$ 120 bem pagos. Próxima parada? Tim festival. O Rio de Janeiro que me espere.
Weezer
Senhor Rivers Cuomo na coletiva...

E no show. Fotos de Theo Marques.
Esse merece um post exclusivo. Simplesmente o show mais rock and roll que eu já vi. Até quem não gostava muito da banda passou a respeitar mais os caras. Os fãs ensandecidos, então, saíram extasiados.
(Ensandecidos mesmo, achei que quando o show começou eu seria pisoteada por aquela gente louca)
Dava pra ver que Cuomo e Cia. estavam bem surpresos com toda aquela gente e, talvez por causa disso, fizeram um show pra indie nenhum botar defeito. Várias surpresas fizeram com que o show fosse realmente impressionante. Rivers Cuomo, seu violão e Island in the Sun do mezzanino. Baterista assumindo a guitarra e o vocal enquanto Cuomo mostra seus dotes musicais na bateria em Photograph – no fim da música, o outro guitarrista e o baixista (pois é, não sei o nome dos Weezer) também vão pra bateria e completam a barulheira. Teve até cover do Foo Fighters, vejam só.
Pra terminar, um sortudo da platéia é chamado para tocar Undone (The Sweater Song) com a banda. Esse sim, pode dizer que viveu o verdadeiro rock’n’roll dream.
Enfim. Que puxa.

Indierada debaixo d'água, por Theo Marques
Confesso que não estava esperando lá muita coisa depois que os shows foram transferidos para o Curitiba Master Hall. No fim, tive que retirar todas as maledicências. O local apresentou uma estrutura adequada para o número de ingressos vendidos. São Pedro colaborou com o pessoal da organização e mandou aquela chuva ingrata, só pra que todo mundo acabasse mordendo a língua.
O Pesadelo das Marcas*
Bandas
Fora as bandas principais, só vi mesmo a Suíte Minimal. O show foi muito bacana, aquela sonzeira que os caras fazem ficou ainda mais sonzeira num palco daquele tamanho.
Vi 30 segundos do Charme Chulo. Depois que reparei que o vocalista era uma cópia mal feita do Renato Russo – com direito a pandeiro de meia-lua e tudo – resolvi tentar pegar mais um Campari.
Vi também uns trechos do Acabou La Tequila enquanto me preocupava em conseguir um bom lugar pro Weezer, e achei bacaninha até.
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