"Depende da fome do cara. Se tava com muita, foi o ovo. Se preferiu esperar, o frango".
"A vida do frango é um estágio intermediário, pois ele nasce comida (ovo) e morre comida (carne)".
Claudemir Beneli, filósofo galináceo, enquanto degustava seu objeto de estudo a passarinho.
P.S. - Gostaria de agradecer a todos os que compareceram na 3ª edição da já tradicional Ceia de Natal, desta vez salva pela La Casa Di Frango. Um brinde!
Toda semana o carro-forte parava em frente ao banco para descarregar o dinheiro. Todo dia, o guarda descia e permanecia parado, com escopeta e cara de mau, para garantir a segurança do dinheiro e, principalmente, o emprego.
Mas um dia algo mais chamou sua atenção: a mulher de pele bem branca e cabelo bem ruivo, que, por coincidência, sempre passava em frente ao banco no mesmo horário em que o carro-forte estacionava. Bastou vê-la três vezes para que se apaixonasse por aquela menina e por todas as sardas que ela tinha nos ombros – sardas que a blusa de alcinha sempre deixava à mostra, para seu deleite.
Até que, distraído pela beleza daquelas sardas, demorou para perceber que o que ela tirou da bolsa era um revólver. Ao mesmo tempo em que a ruivinha mirou a sua testa, outros dois renderam os colegas. E outros dois já entravam no carro-forte, enquanto outros dois davam cobertura, e os poucos malotes eram roubados dois a dois. Ele só teve tempo de olhar, decepcionado, para aquele rosto nervoso que tentava, em vão, demonstrar firmeza.
Já no jornal da meia-noite, ele viu na tv que a quadrilha havia sido pega durante a fuga. Um dos assaltantes morreu e os outros foram encaminhados para a delegacia próxima à sua casa. Hesitou um pouco, mas não resistiu: foi visitar a ruiva.
Depois daquele dia – uma vez por semana, pelos sete anos seguintes – o guarda foi até a delegacia para encontrar a namorada criminosa. Adorava contar as sardas do ombro da moça. O casamento saiu um mês depois do fim da pena.
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