Carta de princípios

A princípio, foi como se eu tivesse entrado num liquidificador – que, por sua vez, estava dentro de uma máquina de lavar roupas. Foi meio complicado, mas não caiu nenhum pedaço. Agora, com o equilíbrio e o pouco juízo levemente recuperados, estou começando a recolocar as coisas no lugar, porém numa ordem diferente. Uma ordem em que o primeiro lugar é sempre e indiscutivelmente meu.

 

Essa rearrumação, que parecia tão assustadora, tem feito com que eu volte a atenção para muitas coisas que tinham sido postas num segundo plano. Agora, está sendo muito mais fácil e até um grande prazer resgatar e por em prática cada uma delas. Coisas pequenas e grandes, em curtíssimo e médio (um médio bem mais ou menos, diga-se de passagem) prazos, porque a hora é agora e o lugar é aqui.

 

Exemplo? Eu, que sempre tive medo da solidão, descobri que sou uma grande companhia. Tenho até conseguido me divertir com as minhas próprias piadas, vejam só. A idéia de passar horas a fio em casa sem muita coisa para fazer não me preocupa mais.

 

(Tá bom, às vezes angustia um pouco, mas nada que um belo livro, filme, telefonema, messenger, bar, passeios e afins não resolvam.)

 

Algumas pessoas, que sempre foram especiais mas tinham se transformado em companhia bissexta, estão aí, mais presentes do que nunca, reafirmando todo o carinho que sempre tive por elas. Os amigos que sempre foram próximos e continuam sendo também ganharam ainda mais pontos e consideração. E tem até uns novos – gente que sempre esteve por perto mas com quem eu achava que não iria ter assunto –, que estão mostrando o quanto eu estava errada. E que bom que têm feito isso.

 

Vale dizer que não é uma faxina, apenas uma reorganização. Nada foi jogado fora, está tudo aqui, apenas rearranjado.

 

Já que cheguei até aqui, tem mais uma coisa que eu tenho que dizer: relutei muito antes de ter um blog e, desde que me rendi à tentação, prometi que não faria dele um diarinho. Esse post é uma exceção. Ele precisava ser escrito, e aqui está. Daqui pra frente, quero voltar a escrever as mesmas bobagens de sempre e algumas bobagens novas, sem pensar duas vezes.

 

Afinal, sou eu quem mando nessa joça de blog e nessa joça de vida, oras.

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