A institucionalização da bisbilhotice

Que mancada, Orkut!

 

Essa ferramenta nova do Orkut, em que você pode ver quem visitou sua página – e conseqüentemente, pode ser visto – foi uma péssima idéia.

 

Ok, manter um singelo profile já era uma superexposição, mas havia o consolo de que o seu era apenas mais um na multidão. Agora, os mais terríveis pesadelos tornaram-se realidade. Aquela menina que você odeia, o namorado da amiga da amiga que você acha bonitinho, pessoas com quem você estudou há trocentos anos e nem quer adicionar, os exs, os possíveis pretendentes – TODOS saberão que você andou pesquisando a vida deles.   Perdeu-se toda a graça do programa, que era ficar fuçando no perfil alheio. De que adianta?

 

É possível desativar a ferramenta maldita. Mas, da mesma forma que ninguém saberá por onde você andou mexericando, perde-se a possibilidade de saber quem te visita – o que, convenhamos, é bem sedutor. É muito atraente a idéia de saber quem, por algum motivo, quer saber de você ultimamente. Esse “tudo ou nada” é muito cruel.

 

Portanto, o melhor a se fazer é ser politicamente correto – e cara-de-pau. Quando não puder mais segurar a curiosidade, vá ao profile desejado, esmiúce-o o quanto desejar e, antes de sair, deixe um simpático scrap, algo como

 

“Prezado Fulano,

        Gostaria de informá-lo que vim conferir seu profile. É possível que venha vê-lo mais vezes (como sempre faço), portanto não ligue se meu nome estiver entre os seus visitantes freqüentemente, ok? Atenciosamente.

P.S. – aproveito para avisar que sua foto é horrível, troque-a com urgência! (já que é pra ser sincero, sejamos por completo)”

 

Acho que só assim pra esse Orkut voltar a ser divertido =)
Reinventando Freud, ou Como Me Livrei de Mim

 

 

 

 

 

O meu aparelho psíquico é dividido em 3 lados: o racional, o emocional e o retardado.

 

Sobre o retardado eu falo outro dia.

 

Mas o que me incomoda profundamente acaba sendo o racional. Porque ele funciona perfeitamente; consigo sempre ter o discernimento suficiente e agir coerentemente nos momentos em que muitos têm a visão embaçada pela raiva, ciúmes, tristeza (coloque seu sentimento predileto aqui). Até já me elogiaram por causa disso. Disseram que tenho classe, olhem só, coisa que nunca achei que fosse ouvir nessa vida.

 

E mesmo assim, tão “adulta”, eu consigo ser completamente passional. Estupidamente passional. Mesmo sabendo que não vai dar certo. Eu vejo o trem vindo em minha direção e permaneço nos trilhos, mesmo sabendo que vou me estropiar toda. E me estropio, e sofro, e dói. E fico com raiva de mim mesma, por não ter a capacidade de dar dois passos para o lado e, assim, sair da rota de colisão.

 

Toda essa teoria, na verdade, foi pra dizer que eu me rendo. Desde que inventei essa história de blog fiquei nessa de “não vai ser um diarinho”, e sempre acabava censurando tudo. Pois agora chega; cansei de ficar tolhendo pensamentos e, por isso, deixar isso aqui às moscas. Nem que seja algo essencialmente estúpido. Algo vindo integralmente do meu lado retardado.

 

Mas sobre isso eu falo outro dia.
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