Da classificação

As pessoas da minha vida e todas as lembranças ligadas a elas ficam em caixinhas, guardadas numa grande estante. As mais queridas e as mais presentes ficam nas prateleiras mais acessíveis; as não muito presentes e não tão queridas (as que não conheço muito bem, na verdade) ficam mais pro lado – nem tão à mão, mas nem tão inacessíveis. As que ficaram pra trás ficam nas prateleiras mais altas ou lá embaixo. E as novas vão conquistando, conforme os dias passam, o seu lugar e a sua prateleira.

 

Ninguém tem um lugar fixo; muitas saem lá de trás e ganham lugar de destaque, do mesmo jeito que outras acabam, aos poucos, ganhando poeira e perdendo posições. Mas nenhuma dessas caixas vai fora; por mais velhinhas e arrebentadas, estão todas ali, todinhas.

 

As caixas das pessoas queridas e presentes são tão manuseadas que nunca estão tampadas. Algumas, além da tampa, levam uma fita crepe – às vezes é necessário. Mas são poucas. Afinal, como otimista incorrigível que sou, sempre acabo guardando as coisas boas.

 

É ótimo adquirir uma caixinha nova e perceber que aquela é uma caixinha especial. Mas tão bom quanto isso (ou, dependendo, até melhor) é parar para organizar a estante e encontrar, lá no fundo, uma caixa esquecida. E abrir a caixa, e tirar tudo o que está lá dentro, e lembrar de cada momento, e o que tudo isso significou e ainda significa. E ter saudade, mas aquela saudade gostosa de se sentir. E sorrir.

 

Que bom saber que você está aqui.

[ ver mensagens anteriores ]
Visitante número: